sexta-feira, 1 de março de 2013

Grupos de Apoio à Maternidade - Ida ao Ishtar

Ao longo desta segunda gestação, eu estou correndo atrás de fazer diferente da primeira gestação. Primeiro foi o preparo físico, emagreci 10kg para poder engravidar (também pela cirurgia na coluna) e estou mais ativa (fiz musculação - dei um tempo agora, e estou fazendo pilates e voltei para yoga). Nisso, alguma coisa apitou na minha cachola, por que não tentar uma experiência de parto diferente?

Na gravidez da Jade eu queria um Parto Normal, cheguei a tentar indução e que no final das contas, fui para uma cesárea, que até hoje não sei se devo classificá-la como se desnecessária ou não, pois a médica alegou que a pequena havia entrado em sofrimento fetal. Mas que criança em sofrimento fetal faz um apgar 8/9?! A pulga não sai da minha cabeça e acho que vou morrer com ela rs

Agora, comecei o pré-natal com a mesma GO que da gravidez da Jade e logo na primeira consulta a questionei sobre um possível VBAC (Varginal Birth After Cesarean, ou seja parto normal após cesárea) e ela me deu a maior força e tal. Mas com as consultas avançando ela começou a colocar um monte de obstáculos, que prefiro não relatar aqui (por enquanto), que minha busca por um GO humanizado se iniciou quando fechei a porta do consultório dela.

Por uma amiga de Facebook entrei em contato com um grupo virtual que me fez abrir os olhos aos poucos, e nelas estou me apoiando para ter forças nessa luta que a mulher tem que travar quando quer ir contra ao sistema, uma vez que hoje em dia o normal é ter cesárea e escolher parto natural é ver vista como "louca", "corajosa", "índia" e "que gosta de sofrer". Mas sério, a recuperação da cesárea não é aquela maravilha também, não é mesmo? Fora que consegui identificar alguns pontos de violência obstétrica nas minhas consultas e parto.

Enfim, através do grupo do Facebook e da Doula Aline Amorim fui convidada a participar do encontro de fevereiro do grupo Ishtar do Rio de Janeiro, onde reuniões quinzenais gratuitas sobre gestação, parto e amamentação acontecem.

http://ishtar-rio.blogspot.com.br/
Confesso que fui meio ressabiada, mas fui. E ainda arrastei o maridão junto. Para minha surpresa, amei aquilo lá! É muito bom você poder conversar, trocar experiências e escutar outras mães (grávidas ou já com seus bebês no colo) que tiveram a mesma dúvida que você. Só é ruim que lá você pode constatar como nosso sistema de saúde está atrasado, centralizado na intervenção e no dinheiro, porque os planos de saúde não pagam diferente se o médico fez uma cesárea de 90 minutos ou ficou 9 horas com uma mulher em trabalho de parto. Convenhamos, você trabalharia pelo mesmo "x" por 90 minutos ou por 9 horas? O médico de plano tende a se acomodar e a ter o dia da cirurgia, onde ele opera todas as mães a termo (ou mesmo quase a termo!!) naquele dia.

Nesta reunião, nos apresentamos (eram umas 40/50 pessoas), algumas conversaram sobre o tema em questão "Dor no parto" e depois fechamos com o "Colo", onde uma gestante a termo, fica no meio da roda, com todas as demais gestantes em meio a uma corrente de bons fluidos, desejos positivos, etc. Na reunião de fevereiro, a mãe do colo estava muito indecisa, queria seu parto humanizado, mas sua GO de 18 anos já agendou a cesárea e ela queria ter a força de dizer não e estava ali no grupo para buscar esse apoio. Ela chorou e nós também. Ninguém saiu ileso dali. Eu sai me perguntando se realmente havia necessidade de termos que passar por isso? Que raio de sistema é esse que temos que viver? Que ser "do contra", quando o natural é visto como coisa de malucas?! Mas, enfim, estamos na chuva é para se molhar. Se eu quero meu PNH (parto natural humanizado - sem intervenção, sem episiotomia, sem ocitocina, enfim, um parto que respeite as minhas vontades!), eu que tenho que correr atrás, certo? Então bora lá, Brasil!

Se você está grávida ou é tentante e deseja muito ter seu parto normal ou humanizado, deseja aprender sobre este "novo velho mundo", recomendo que você procure um grupo como o Ishtar (que tem em vários locais no Brasil) ou GAMA, ou mesmo outro que eu não tenha conhecimento hoje, mas corra atrás do que você quer. O seu parto é único! Para o médico você será apenas mais uma! Torne-o o seu momento!

Post republicado do Blog Mamis.

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