quinta-feira, 13 de março de 2014

Das minhas escolhas - Amamentação

E a amamentação?

NINGUÉM, muito menos eu, disse que seria fácil amamentar.

A gente se prepara, QUANDO se prepara, para o parto... Mas a gente esquece que depois do parto nasce um bebê. Um pequeno ser dependente e frágil. A culpa é do ser humano, onde a racionalização provocou uma extero-gestação prolongada, diferente de outros animais que mal nascem já andam e se viram quase que sozinhos... O bebê humano precisa de dedicação quase que exclusiva para ser independente. E isso demora uns 2-3 anos (isso se não virar um adulto dependente kkkkkk), se não mais!

Nos primeiros dias o bebê quer aconchego e alimentação. Antes, no ventre materno ele não precisava fazer esforço, tudo era suprido pelo cordão umbilical. Agora não! É por conta dele, ele precisa se alimentar! Consegue só? Não! Quem vai ajudá-lo então? Sua mãe. Sim, a mãe. Esqueça casa, cozinha, lavar roupa. Isso QUALQUER outra pessoa no mundo pode fazer para você. Amamentar não. Apenas você pode fazer isso pelo seu filho.

Amamentar deveria ser algo natural, fisiológico. E é. Mas acontece que novamente a racionalização tem culpa no cartório. A mulher é cercada de mitos e pitacos duvidosos, que subestimam a fêmea humana como mãe, seja para o parto, seja como nutriz. Nossa cabeça atrapalha nosso corpo. Antes de mais nada, somos MAMÍFERAS capazes de nutrir nossos filhotes, desde que com orientação adequada, de pessoas REALMENTE  capacitadas, e não daquele pediatra dinossauro que comparece a congressos pagos pela Nestlé e afins (desculpa se cutuquei fundo o seu calo, mas pediatra NÃO TEM formação nutricional na faculdade e POUCOS se atualizam de verdade nesse assunto). É RARO mulher que não consegue amamentar.

Eu escolhi amamentar as minhas filhas.

Ok, cedi cedo na primeira. Eu estava com dores insuportáveis por causa de uma hérnia de disco, precisava tomar medicação relativamente forte (tramal era básico), voltei ao trabalho (sem acesso à sala de coleta de leite), sucumbi ao leite em pó quando estava fora, na mamadeira.... Isso com 7,5 meses. Consegui amamentar Jade pela manhã e noite por mais um mês apenas. Quando ela começou a confundir os bicos... Me trocou pela mamadeira, mais fácil de sugar, mais doce ao seu paladar, somadas ao pico de desenvolvimento da idade... Eu, matrix ainda, cedi. Era tão matrix que até fiquei aliviada por ela ter parado cedo, pois achava estranho amamentar criança grande... #desabafei #eraumatola #memata #eudemente Eu cheguei a doar leite por 3 ou 4 meses, não me recordo bem. Fez bem para mim saber que estava ajudando alguém. Não tive problemas de rachaduras, de pega, nada. Sorte?! Não sei. Tive orientação da enfermeira sobre a pega na maternidade. Usava conchas de amamentação que vazavam e era o ó. Usei lanolina (sem saber que poderia me trazer problemas...).

Após toda minha luta para sair da matrix do sistema obstétrico, ao frequentar grupos de gestante como o Ishtar, percebi a beleza da amamentação tardia. A beleza e seus benefícios. Já que muitas não gostam de ouvir e ler e seguir recomendações de certas organizações, afinal sempre tem aquela desculpa clássica "cada mãe sabe o que é melhor para seu filho". Será que sabemos mesmo?! Até onde vai nosso conhecimento do que é melhor? Pois sem acesso à informação, aquela de qualidade, nunca teremos escolha, somente achismos e concordâncias de pitacos desinformados...

Laura nascida e amamentada ainda na sala de parto. Mesmo com seus 3885g, que por padrão da maternidade seria complementação e glicose sem sequer consultar a mãe, peitei o sistema e NÃO PERMITI que lhe dessem qualquer coisa. Éramos eu e ela e colo, seio, muito seio, muito colostro. Ela não foi para o berçário dormir. Muito menos dormiu naquele berço de plástico. Ela dormiu comigo, na minha cama. Colada a mim. Eu e ela. (Papai não cabia no leito hospitalar hahahaha).

Se não me engano, o leite desceu mesmo uns 2 ou 3 dias depois. Peito empedrou. Começou a ficar vermelho. Corre! Aciona doula! Aciona Enfermeira Obstetra! Elas vieram em dias alternados, me deram dicas para esvaziar as mamas, usar repolho resfriado para ajudar a desinflamar (mas confesso que não usei =p), a descartar lanolina (se passar no ductos ela pode empedrar e emputi-los, causando inflamação!), e usar as conchas apenas em caso de real necessidade. Peito vazando? Fraldinha nele. Assim ele respira, e o próprio Leite Materno cicatriza as eventuais rachaduras. Correção de pega. E alguns dias depois, estávamos zeradas.

O primeiro mês é demandante pacas. É peito, peito, peito. Com a Jade foi difícil. Aprendi apenas com a Laura e tenho recomendado desde então. Cansou? Bebê não larga do peito? Deite-se! Amamente deitada oras. Ah, mas lá vem os pitacos de que vai dar otite, de que isso e aquilo. Vamos aos fatos. A posição da língua do bebê amamentado veda a tuba auditiva, assim não causa otite (Rá! Isso acontece na mamadeira lero-lero!). E convenhamos, observe o bebê mamando. Ele está deitado na MAIORIA delas (ok, na posição cavalinho ele fica sentado e a mãe tem que sentar também... =p), quem muda de posição é a mãe. Então por que não deitar-se?! Essa descoberta foi essencial para minha sanidade. Eu deitava e podia cochilar sem medo de ser feliz!!

Com excessão do cavalinho, em todas as posições o bebê está deitado. Fonte: http://www.gravidinhasemamaes.com.br/

Com dois meses, decidi começar a ordenhar para aumentar a produção já me preparando para o retorno ao trabalho dali a quatro meses. Como já escrevi antes, usei uma dica que li no GVA (link abaixo), ordenhar quando ela estivesse mamando. Como não me adaptei à ordenha manual, usei a bomba da época da Jade e comprei outra para o trabalho. Bombear sem a Laura mamar, mal saem quando saem 40 mL. Quando ela mama, parece mágica, mas sabemos que é a ocitocina né?, o leite flui, e 160mL saem facilmente. Assim, eu fazia estoque e enviava para o Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira aqui no Rio. Quando faltavam 15 dias, suspendi a doação e fiz estoque para a Laura. Aproveitei as férias para voltar o trabalho por 4 horas apenas, assim faria banco de horas e no mês seguinte usaria as horas acumuladas, ficando assim por 2 meses indo para o trabalho por 4h diárias. Assim, Laura usaria o leite deixado apenas 1 vez ao dia. O excedente? Voltei a doar para o IFF. Agora começamos a jornada de dez horas longe de casa. Novamente parei de doar para o IFF. Laura tem demandado 2 - 2,5 potes de leite materno, que consigo repor bombeando todos os dias pela manhã, no trabalho e no retorno em casa. Se voltar a sobrar leite materno, voltaremos a doar para o IFF.

Isso é cansativo? CLARO PO! Quem disse que não?!

Eu poderia dar leite artificial, afinal ele estaria disponível, em casa, sem dor de cabeça, sem estresse de bombas e congelamentos de leite materno, qualquer um poderia dar... Mas não! Nada no mundo se compara ao valor nutricional e protetor do leite materno. Nenhum leite artificial se compara ao natural, balanceado e adequado para minha filha.

A praticidade do leite materno vai além de economizar uns trocados com latas e latas de leites artificiais. Saio e minha bolsa é mínima. Levo uma troca de roupas para a Laura, 3 fraldas, pomada, lenço umedecido. Só. Nada de mamadeiras, água quente, pote para o leite, colheres, babadores.

Há trabalho no estoque de leite materno? CLARO! Nesse ponto se equipara a preparar o leite artificial, pois as bombas, copos e potes devem ser fervidos e devidamente guardados. O descongelamento deve ser feito em banho-maria. O ganho não deve ser visto por aí...

Eu escolhi amamentar até quando a Laura quiser. Vamos até dez meses? Dezoito? Quarenta e Oito!? Sei lá. Agora será no nosso tempo. Vou respeitar o nosso tempo. Sem pressa. Afinal é uma fase que passa tão rápido...

Uma página no facebook fez um álbum de fotos com informações sobre o leite materno que achei bem legal de ser compartilhado. O link está na legenda das fotos. Informação ta aí. Fácil. Acessível. Use a internet de maneira inteligente. ;-)

Mais informação em:https://www.facebook.com/blogeumamae

Recomendo: Facebook - Grupo Virtual de Amamentação

#quecomeceomimimi

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