segunda-feira, 8 de abril de 2013

Entendendo as possíveis intervenções: Fórceps e Vácuo-Extrator

Sites e mais sites. Expressões médicas e jargões. Ufa, quanta coisa a gente tem que ler para saber o que está para vir, não é mesmo? Quem me dera se no Brasil não bastase querer parir... Porque aqui, cara pálida, se você não correr atrás e não tiver reais condições, você não consegue parir, ainda mais um VBAC...

Depois de ler um pouco sobre Episio e Anestesia no Trabalho de Parto, lidei com alguns instrumentos que me levaram a fazer este post: O que é um fórceps? O que é um Extrator a Vácuo?

http://www.partoegravidez.com
A opção por observar o ritmo natural da evolução do trabalho de parto, entretanto, pode exigir uma intervenção do médico para auxiliar o período expulsivo, geralmente em casos de sofrimento fetal ou exaustão da mãe. Nessas situações, o bebê está prestes a nascer, já baixo demais no canal de parto para fazer uma cesariana e não se pode perder tempo. A opção mais adequada é a utilização do fórceps ou de uma ventosa a vácuo para preservar a mãe e o bebê e obter um parto mais rápido. Às vezes, a posição do bebê vai determinar qual é a melhor ferramenta, vácuo ou forceps para a sua situação. O vácuo é flexível e dependerá da posição da cabeça ser suficientemente baixo para criar a sucção necessária. Se não, forceps pode ser necessária. Além disso, se o bebê precisa ser girado para  nascer, fórceps é o método mais eficaz.
Em geral, ambos, o fórceps e vácuo são considerados mais seguros do que cesariana em muitas situações.


Fórceps

O fórceps obstétrico é um instrumento destinado a apreender a cabeça fetal e extraí-la através do canal do parto. É formado por duas partes alongadas e conectadas que se curvam nas pontas para abrigar a cabeça do bebê.

O parto a fórceps tem indicações maternas e fetais. As primeiras compreendem situações em que o parto deve ser ultimado para reduzir o risco materno, como as limitações funcionais da paciente ou para poupá-la de maior esforço. Na atualidade, permanecem válidas as indicações de proteger a mãe nos casos de cardiopatia (risco de descompensação pelo esforço do período expulsivo), as pneumopatias, em que a paciente tem sua reserva pulmonar diminuída e dificuldade em executar o referido esforço, e tumores cerebrais ou aneurismas, em que o esforço expulsivo pode ocasionar acidente vascular hemorrágico. Outra indicação é a presença de cicatriz uterina, cuja solicitação no período expulsivo pode causar a rotura uterina, o que se pretende evitar pela redução do período expulsivo e da exposição da cicatriz ao esforço.

As indicações fetais, em que o parto deve ser ultimado para redução do risco, compreendem o sofrimento fetal e a parada de progressão durante o período expulsivo. A persistência dessas condições pode determinar o óbito fetal ou deixar sequelas irreparáveis. O sofrimento fetal pode ser diagnosticado pela ausculta fetal com o auxílio de qualquer recurso, ou mesmo o exame ultrassonográfico, se disponível na sala de parto.

http://www.sciencemuseum.org.uk/
O diagnóstico de sofrimento fetal impõe-se em caso de prolapso de cordão, condição não rara em grande multípara com feto em apresentação cefálica, que evoluem com bolsa íntegra até o período expulsivo, ou em caso de apresentações anômalas. No primeiro caso (prolapso de cordão), havendo condições de praticabilidade e não havendo facilidade para realização de operação cesariana, o fórceps pode salvar a vida do feto.

O uso do fórceps médio (apresentação insinuada, porém acima do plano +2 de DeLee)tem sido abandonado pela maior incidência de lesões maternas e fetais. Seu uso, atualmente recomendado, é a aplicação em partos vaginais operatórios de alívio e baixo. O “fórceps alto”, felizmente, ficou no passado: o que se usa hoje é o chamado “fórceps de alívio”, manobra mais suave, uma “forcinha” por assim dizer, que ajuda o bebê a nascer.

As contra-indicações para o parto a fórceps são a falta das condições de praticabilidade e a falta de experiência do obstetra com esta cirurgia. Pode ser necessário o uso de episiotomia. É possível que a mãe sinta algum dor e fique um pouco machucada depois do parto. Além disso, pode ser que seja mais difícil fazer xixi e controlar a urina, ou pode ter prisão de ventre. Há um pequeno risco de danos permanentes à bexiga ou ao ânus. O bebê pode nascer com um pequeno machucado superficial, o que, normalmente, se cura em poucos dias. Muito raramente, o nervo facial é danificado durante este tipo de parto, e a boca do bebê fica caída de um dos lados (o que costuma ser temporário).

As indicações do parto a fórceps são atuais, devido a circunstâncias especificas em que se mostra superior à cesárea (parada de progressão e sofrimento fetal no período expulsivo), justificando a grande frequência com que ainda é praticado.

Mas não se engane, o fórceps também é usado nas cesáreas, para ajudar a tirar a cabeça do bebê 
pela abertura na barriga da mãe... =( Basta conferir alguns videos no youtube...


Vácuo-Extrator

Constituído de uma ventosa ligada a um aparelho de sucção, o vácuo-extrator é usado nas mesmas situações em que o fórceps: risco para o bebê ou exaustão da mãe.

Hoje em dia, muitos médicos optam pelo auxílio da ventosa (ou vácuo extrator), em vez do fórceps, embora o fórceps ainda seja bem mais comum. Isso porque ela é menos dolorosa para a mãe tanto durante quanto depois do parto, há menor risco de danos à bexiga ou aos intestinos e também menor chance de uma episiotomia ser necessária.
http://catalogohospitalar.com.br

Para o parto, o obstetra conecta a ventosa à cabeça do bebê dentro da vagina e depois retira o ar com o auxílio de uma bombinha a vácuo. Esse procedimento pode ser barulhento, então se prepare! Uma vez que a ventosa esteja firme, o médico vai pedir para você fazer força na próxima contração, enquanto ele puxa a ventosa para ajudar seu bebê a sair. Às vezes, a ventosa escapa da cabeça do bebê e tem que ser recolocada.

Tradicionalmente, as seguintes vantagens para o vácuo-extrator têm sido propostas: técnica mais fácil de aprender; menos dependente do diagnóstico acurado da posição da cabeça fetal; quantidade de força a ser aplicada intrinsecamente limitada; pode ser usado por parteiras treinadas; e pode promover a flexão da cabeça fetal defletida. Como desvantagens, apontam-se a não possibilidade de utilização do instrumento em apresentação de face, cabeça derradeira e fetos pré-termo; equipamento mais complexo e com maior possibilidade de falha técnica; e dependência dos esforços maternos para o parto.

Quando a ventosa é utilizada, por vezes os bebês nascem com a cabeça ligeiramente em formato cônico, o que tende a durar somente alguns dias. Uma bolha de sangue (céfalo-hematoma) poderá se formar na cabeça do bebê, mas isso também desaparece em cerca de uma semana.

Os riscos associados com a utilização do vácuo extrator incluem danos ao cérebro do bebe, couro cabeludo e dolorosas lacerações para a mãe.


Vantagens e desvantagens desses instrumentos

Anestesia local (se a mulher não estiver sob o efeito de analgesia de parto)
Fórceps: Faz-se um bloqueio bilateral dos nervos pudendos, um tipo de anestesia local que oferece um bom grau de conforto.
Vácuo: Não há necessidade de anestesia local, pois a campânula é pequena e não atinge os lados da cabeça do bebê.

Episiotomia
Fórceps: Pode ser necessário um corte para aumentar a abertura da vagina e permitir a colocação do instrumento.
Vácuo: A ventosa é pequena, dispensando a necessidade desse corte. Além disso, oferece um risco menor de lacerações (lesões) no períneo.

Uso
Fórceps: Além de tracionar, permite, se necessário, rotacionar a cabeça do bebê. As chances de sucesso da manobra são maiores.
Vácuo: Não permite rotacionar a cabeça do bebê, apenas tracioná-la. Não pode ser usado em bebês com menos de 34 semanas, que têm a cabeça mais mole.


Fonte: Indicações do parto a fórceps - Cunha AA - FEMINA|Dezembro 2011|vol 39|nº 12; Crescer - Parto a fórceps; Baby Center - parto a forceps ou vácuo extrator; Casa Moara - Fórceps e vácuo: quando a natureza precisa de uma força; Parto e Gravidez - Parto a fórceps e extrator a vácuo; Assistência ao segundo e terceiro períodos dotrabalho de parto baseada em evidências - Amorim MMR, Port AMF, Souza ASR.- FEMINA|Novembro 2010|vol 38|nº 11;

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