terça-feira, 9 de abril de 2013

Entendendo as possíveis intervenções: Litotomia, Tricotomia, Enema, Jejum

Depois de conhecer algumas das intervenções que poderão ser realizadas no parto, mas eu peço a Deus que não precise!!, também resolvi conhecer um pouco mais sobre as intervenções que deveriam sumir do mapa, mas que muitos médicos brasileiros ainda praticam... 


Posição de parir em Litotomia

http://www.elpartoesnuestro.es
Para os médicos vaginalistas "tradicionais" (que fazem parto vaginal operatório - episio e o caramba a 4) a posição de parir é única: posição de Litotomia, ou seja, deitada com as pernas amarradas em perneiras, posição ginecológica (a la frango assado...). Mas convenhamos, essa posição só é cômoda para o obstetra, todas as mulheres que li o relato falam que é insuportável ficar deitada durante as contrações! Fora que você faz o bebê "subir morro acima", pois o canal do parto se eleva e você tem que fazer força maior. E pesquisas afirmam que nesta posição as chances de laceração de alto grau (ou o médico "praticar" a episiotomia) são grandes.

O que é difundido é que o ideal é a mulher tenha seu filho em posições verticalizadas (de pé, cócoras, sentada) ou mesmo de quatro apoios, onde o canal do parto se expande melhor. Conversar esse tópico com o obstetra é essencial, primeiro para saber se ele é cesarista, e segundo para deixar claro que se deseja ter liberdade de movimentos, diminuindo as chances de laceração.

Posicionamento eficaz pode acelerar o trabalho e reduzir o desconforto, alinhando o bebê corretamente, através da redução de área específica, pressão e reduzindo o esforço muscular desnecessário. Em um estudo, mães que mudaram posições frequentemente durante o parto e nascimento demonstrou uma redução de 50% no tempo de progressão de três centímetros de dilatação 10cm.


Tricotomia (raspagem de pêlos)

Sério? Que coisa mais arcaica não é mesmo? Para que a gente é obrigada a se submeter a isso? Se não é seu hábito, porque deveríamos fazer? Por que é mais cômodo para o profissional que te acompanha? Ou nem isso?! Convenhamos que a irritação que o crescimento dos pêlos pode provocar, ninguém merece. Mesmo numa cesárea, não há necessidade de raspagem total! Pode-se fazer apenas na região entre o umbigo e o osso púbico. Fora que não há evidências de que a tricotomia diminua as chances de infecção local. 
A OMS contra-indica o uso rotineiro de tricotomia. 


Enema (lavagem intestinal)

Esta é uma intervenção que antigamente era habitual, até mesmo protocolar. Era utilizada com o intuito de evitar a evacuação da mulher durante o trabalho de parto e parto. Pensava-se que o esvaziamento do intestino por meio da lavagem intestinal proporcionava mais espaço para a passagem do bebê, acelerando o trabalho de parto, o que não foi comprovado pelas evidências científicas. E ainda, que reduziria as chances de contaminação e infecção, o que de acordo com as mesmas evidências, também não é verdadeiro. Ao contrário, pode aumentar a percepção de dor durante o processo de nascimento, também os riscos de infecção, em função de favorecer a evacuação de fezes líquidas, que podem atingir mais locais do corpo.

No caso de funcionamento intestinal normal, nas 24 horas que antecedem o trabalho de parto, considerando o parâmetro pessoal de cada mulher, é desnecessária a realização desta intervenção desconfortável.
Este procedimento somente é recomendado no caso de a mulher estar constipada e considerar que se sentirá melhor. Porém, esta intervenção torna as fezes excessivamente líquidas, ocorrendo normalmente a evacuação durante o parto, sendo que se for feito exclusivamente no sentido de se evitar a evacuação, o procedimento não se justifica.

É normal e fisiológico ocorrer evacuação materna durante o trabalho de parto e parto, em função da compressão e massagem intestinal provocada por meio da passagem do bebê no canal vaginal. Não há risco de contaminação, pois assim que ocorre a evacuação, um pano estéril (campo) é colocado rapidamente sobre as fezes, e no caso do parto na água, as fezes são rapidamente retiradas da água. Caso ocorra o contato indireto das fezes com o bebê não existe risco, pois ao nascer ele deve ser colonizado primeiro pelas bactérias da própria mãe, da qual herda os seus primeiros anticorpos. 
A OMS contra-indica o uso rotineiro de enema.


Jejum

A grande maioria dos relatos que leio, principalmente aqueles atribuídos à violência obstétrica, a parturiente reclama das negativas de água e comida durante o trabalho de parto. E sem que haja evidências de que isso deva ser feito, principalmente em gestantes de baixo risco, onde o "risco" de se precisar de uma anestesia geral é quase nulo.

Em meta-análise que incluiu cinco estudos envolvendo 3.130 mulheres de baixo risco para a necessidade de anestesia, concluiu-se que não há justificativa para a restrição de líquidos e alimentos para essas mulheres em trabalho de parto. Os autores destacam que não há estudos em mulheres de alto risco para complicações, não existindo evidências
Em Trabalho de Parto e almoçando!
que corroborem essa prática.

Mesmo na eventualidade de uma analgesia de parto pela técnica peridural ou combinada, a ingestão de líquidos claros é permitida e deve ser encorajada. O jejum só é necessário se existir a probabilidade de uma cesariana ou de anestesia gera.

Claro, nenhuma mãe em trabalho de parto avançado (pródomos não vale! rs) vai conseguir bater aquele pratão de feijoada! Então que mal há em oferecer pequenas porções de fruta e coisas assim para as mães? Já imaginou um trabalho de parto de 24h com fome? Não há quem tenha forças na hora do expulsivo!!


Fontes: Parto e Gravidez - Melhores Posições; Assistência ao primeiro período do trabalho departo baseada em evidências, Porto AMF, Amorim MMR, Souza ASR. FEMINA|Outubro 2010|vol 38|nº 10; Gerar e Nutrir - PARTO: Intervenções desnecessárias - ENEMA, CLISTER OU LAVAGEM INTESTINAL;

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