Nascimento da Laura - VBAC - Parte 3

E aqui escrevo mais uma parte do relato de parto do nascimento de Laura, que dividi em Parte 1 e Parte 2.

No dia 04/07 começou a sair o muco (tampão) róseo. Só avisei o Cleber sobre o tampão na hora do almoço, mas sabia que poderia ver a Laura em breve ou levar mais duas semanas nessa brincadeira, afinal o tampão se refaz. Falei para ele não se preocupar e trabalhar normalmente. Eu sentia a barriga contrair, mas sem dor, contudo isso já vinha assim há algum tempo. A tarde elas apertaram um pouco mais, tipo cólica menstrual. Avisei a Aline na parte da tarde. Não quis incomodar a Enfermeira Obstetra Sabrina ainda. continuamos com a rotina normal da casa. Janta, mama e banho na Jade. Às 20h tentei cronometrar, mas elas não tinham ritmo, eram pouco doloridas, tranquilas.


Fui tomar um banho para ver se parava ou engrenava. Continuaram na mesma. Deitei. Cleber terminou de colocar a Jade para dormir, e veio deitar também. Mas minha cama é ortopédica e a dor na lombar não me deixou relaxar ali. Falei para ele que iria deitar no sofá da sala, porque é mais fofo. Fui no banheiro e escutei um ploc, mas nada aconteceu. Deitei no sofá. Quando me virei procurando posição só senti um jato de água quente descendo. Eram 00:55h. Levantei correndo, chamando o Cleber, molhei o chão da sala. O líquido era transparente.

Fui para debaixo do chuveiro. Quente. De repente a primeira contração, como uma onda ela tomou meu corpo e me dobrou. Fiquei de joelhos instantaneamente, com os braços no banco que tenho no box e ali esperei a onda passar. Tentei cronometrar mentalmente. Impossível. Ela veio de novo, e dessa vez vocalizei. Um AAAAAAA para ajudar a passar. A dor era principalmente na lombar e no osso púbico, na base da barriga. Cleber avisou a Aline e a Sabrina. Elas queriam saber tempo das contrações. Elas não vieram calmas, vinham de intervalos de dois ou três minutos. Falei para ele que era impossível cronometrar.


Ele tentou cronometrar, mas eu já estava pirando. Seria essa a tal partolândia? Eu implorava para ter mais alguém para nos ajudar e pedi a bola de Pilates para ficar embaixo do chuveiro quente. Ele ligou para a Sabrina e ela já estava a caminho. Ligou para a babá vir tomar conta da Jade, que estava dormindo alheia a tudo. E a Aline não poderia vir... Estava com outra gestante... Pedi para acionar a Ana Lúcia. A babá chegou e Cleber foi arrumar o carro.  E logo em seguida a Sabrina chegou também. Eu olhei para ela e falei que doía muito. Não estava mentindo. Aquilo seria insano demais para passar 12-24h com aquele batidão.  Ela olhou para mim e docemente me disse eu sei que dói. Vai passar. E realmente as ondas iam e vinham. Eu procurava posição igual uma louca, pensei na Nina minha gata de infância que acompanhei dois partos, em como ela ficava inquieta tentando achar seu canto para parir em paz. Sentava no vaso, tentei ficar de quatro na cama como a Sabrina sugeriu. Impossível. A vontade que tive foi de me afundar nos travesseiros, mas me detive com medo de machucar a barriga de alguma forma. Sabrina auscultou os batimentos da Laura e estavam ótimos. Mediu o colo, primeiro toque em toda gestação. Eu não queria saber nas consultas, eu falei para a Fernanda que não queria saber minha evolução durante o trabalho de parto, mas ali implorei saber, afinal isso era decisivo para ficarmos em casa ou irmos para a maternidade, era um longo caminho a ser percorrido. Pedi e ela me disse: 2cm. Mas como?! Toda aquelas ondas e dois míseros centímetros. Eu sabia que ir cedo demais minhas chances de intervenções eram maiores. Mas ficar ali eu não conseguiria relaxar. Eu vocaliza alto demais e tinha medo de acordar a Jade, tinha medo do trânsito de Caxias para a Barra. Eram por volta de duas da manhã ainda... Mas ali, eu não relaxaria.

Tentaram me convencer de esperar a Ana chegar. Eu sabia que ela morava em Santa Tereza... Caminho longo... E vinha a contração. E eu só pedia para ir para o hospital, que não ia agüentar, que aquilo não era para mim, que era para avisar a Fernanda que eu queria logo a cesarea! Pois é... pedi arrego naquele momento. Logo eu, li tantos livros, discuti tanto nos grupos, participei tanto de grupos de gestante pró-humanização, tinha conversas maravilhosas com a obstetra, tinha me empoderado TANTO e arreguei... mas no mesmo instante que eu pedia a cesarea eu me arrependia por dentro por saber que ficaria extremamente abalada caso fosse acatada. Novamente cortada. Não, não queria ir para a faca. Nem me lembrei de anestesia se você quer saber. Eu só queria sair daquele ciclo que eu havia caído. Sim.. Cai no ciclo: dor-medo que tanto haviam me falado para evitar. Perguntei onde estava a Ana, precisava dela ali, rápido. E de repente, Cleber e Sabrina resolveram me levar. (depois ele me disse que ligou para a Ana e ela ainda estava descendo Santa Tereza rs).

Sabrina pediu para a babá um vestido limpo, uma calcinha e um absorvente para podermos ir. Eu não queria saber de trocar de roupa. Queria simplesmente ir! Trocaram minha roupa e fomos.

No carro um hug (travesseiro comprido que temos), um lençol e as toalhas que eu havia separado. Sentei no banco de trás. Cleber foi dirigindo e a Sabrina no carro dela.

(CONTINUA...) 

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